Chamava-se Joaquina
Marques Fragoso.
Nasceu a 25 de Novembro de 1905, na Quinta da Gil, lugar sobranceiro à Serra
da Estrela.
Era o terceiro rebento do casal Marques Fragoso. Depois dela ainda
outros viriam povoar de alegria primaveril aquele lar jovem e frutuoso,
contudo seria o nascimento de Joaquina o mais marcante de todos para
a família e também o mais maravilhoso. No mesmo dia
em que Joaquina aparecia aos olhos do mundo, seu avô Bernardo
Atanásio, de um modo absolutamente misterioso, após
anos de separação e desavença, quis reconciliar-se
com a filha e o genro. O que acontecera nunca ninguém o soube,
o certo é que o avô fez questão de ser o padrinho
da pequenita e foi ele que lhe atribuiu o nome - Joaquina, como a
avó, falecida em idade jovem. A família de Joaquina,
para além da Quinta da Gil, possuía muitos outros bens
que proporcionavam uma vida desafogada. Os pais, profundamente cristãos,
preocupavam-se em transmitir e formar os filhos na sã doutrina
cristã, enquanto Portugal se afastava da Igreja, para se afundar
no ateísmo maçónico. Apesar de tudo, a família
de Joaquina mantinha-se fiel à doutrina de Cristo, frequentando
a Igreja e rezando diariamente o terço em família.
Tais foram os fundamentos sobre os quais se erigiria uma vida de
admirável riqueza.
Com a idade escolar, toda a família se instala no Cortiçô da
Serra, contudo, a fim de prosseguir os estudos, Joaquina vê-se
obrigada a separar-se da família, indo primeiro para Carvalheda
e depois para Gouveia.
Finalmente, Joaquina vai com toda a família para Coimbra.Foi
aqui, em Coimbra, que Joaquina terminou os estudos na Escola Normal
e, em 1925, de aluna, passou a professora.
Era tão jovem, tanto na idade como no aspecto, que a todos
causava admiração, porém abraçava a profissão
com amor e empenho. E pôde orgulhar-se de nunca ver chumbar
um só dos alunos que levou a exame.
Por fim ficou noiva!
Tinha tudo preparado: casa, noivo, emprego seguro, enxoval, vestido
de noiva. Porém, de um dia para o outro, tudo se desmoronou.
Foi durante numa noite de adoração ao Santíssimo.
O que aconteceu naquela noite singular, nunca ninguém o soube.
Mais tarde, Joaquina confidenciaria a uma das suas irmãs: “O
Senhor tem muitas maneiras de chamar. Há chamamentos ordinários
e há chamamentos extraordinários. O meu chamamento
foi extraordinário!”
O certo é que no dia seguinte, Joaquina era uma mulher nova.
Indiferente aos planos estabelecidos, desfez o noivado, abandonou
a carreira profissional e entrou no Claustro de Santa Clara de Assis,
deixando em casa a mãe vestida de negro, viuva da filha a
quem chamava ingrata.
Dentro do Claustro, Joaquina recebe um nome novo, sinal forte de
uma vida que renascia das cinzas: Irmã Maria Teresa. Das longas
horas passadas em adoração junto do sacrário
auria a paz, a fortaleza e a sabedoria. E abraçava as maiores
penitências com um amor e um fervor sempre renovados.
Dela emerge o seguinte testemunho: “Exerceu com a máxima
virtude e competência, diversos cargos na Comunidade: foi Secretária,
Enfermeira, Sacristã, Mestra de Noviças e Superiora”.
Em 1940 foi eleita Superiora da Comunidade.
Activa e determinada, o grande trabalho que assumiu desde logo em
suas mãos foi o progresso espiritual da Comunidade. Devorava-a
o zelo pela Casa de Deus.
Seguindo sempre a linha da mais perfeita fidelidade ao Evangelho,
consegue, depois de lutas e sofrimentos, a 24 de Março de
1958, a realização de Profissões Solenes (havia
124 anos, desde 1834, que não se realizavam profissões
solenes). Nesse mesmo ano, Madre Teresa conseguia do Bispo o privilégio
de ter solenemente exposto, em Lausperene, o Santíssimo.
Por fim, em 1960, vendo o velho edifício do Mosteiro do Louriçal
já em quase total ruína, decidiu iniciar as obras de
restauro. Tinha uma obra gigantesca pela frente e a pobreza em que
ali viviam as Irmãs era extrema. Contudo, a 27 de Fevereiro
de 1965, eram celebradas as cerimónias de restauro do Mosteiro.
Seis dias depois, precisamente a 5 de Março de 1965, movida
pelo zelo de ver a Ordem dilatada, Madre Teresa partia com os bolsos
vazios para uma nova fundação em Monte Real, acompanhada
por três Irmãs, entre elas a sua principal colaboradora:
Madre Maria do Amor Divino.
Instaladas primeiramente no “Vaticano”, o segundo andar
de um dos edifícios das Termas, cedido gratuitamente pela
família Olímpio Duarte Alves, a pequena comunidade
cresceu rapidamente e, a 25 de Novembro de 1966, mudou-se para o
Casal de Santa Teresinha.
Por fim, a 19 de Março de 1972, após três anos
de trabalho ininterrupto, com Madre Teresa a administrar directamente
as obras, foi inaugurado o Mosteiro de Santa Clara e do Santíssimo
Sacramento de Monte Real.
Sobre o Mosteiro dizia Madre Teresa: “A este Mosteiro bem se
lhe pode chamar o Mosteiro das mãos postas” E confessa: “O
seu bom êxito pode atribuir-se ao voto que fizemos, logo de
princípio, de rezar em Comunidade o Rosário de Nossa
Senhora”.
Três anos depois, a 26 de Agosto de 1975, Madre Teresa deixa
definitivamente a terra.
Da sua vida sobressai o testemunho do Rev.do Pe. José Barreira:
“ Madre Teresa foi uma alma que sonhou e idealizou. E realizou o que sonhou
e idealizou!”
Oração
Senhor Jesus Cristo, por amor descestes do
Pai ao seio da Virgem Maria. Ao nascer, Vos fizestes
nosso companheiro. Na Eucaristia, sois Alimento
para todas as fomes e Remédio para todas
as enfermidades.
Entregue inteiramente ao Vosso Amor, a Madre Maria Teresa
fez da sua vida uma chama silenciosa diante do sacrário
e, aí, como círio que arde, ela consumiu
humildemente a vida num hino de louvor e adoração;
virgem prudente, esperou-Vos com a lâmpada da fé e
da caridade acesa.
Já que Vos dignastes marcá-la com o sinal
da aliança esponsal convosco, mostrai-nos a Vossa
Misericórdia ao conceder-nos, por sua intercessão,
a graça que Vos imploramos … a fim de que,
assim como a Madre Maria Teresa Vos glorificou na terra,
Vos digneis glorificá-la na Vossa Igreja, para
glória da Santíssima Trindade. Ámen
Três vezes: Glória ao Pai e ao Filho e ao
Espírito Santo