“Livres”. De verdade."
(Pe. António Fernando Teixeira)
“Nós,
sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,mas
se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade”. “Somos livres para ser santos; livres para ser pobres,
castos e obedientes; livres para todos, porque desapegados de
tudo; livres de nós mesmos para que em cada um cresça
Cristo, o verdadeiro consagrado do Pai e o Pastor ao qual os
sacerdotes emprestam voz e gestos, de Quem são presença;
livres para levar à sociedade actual Jesus Cristo morto
e ressuscitado, que permanece connosco até ao fim dos
séculos e a todos Se dá na Santíssima Eucaristia”. Estas
são apenas algumas das belíssimas palavras
que o Papa deixou aos pastores que nós somos; palavras
que são, simultaneamente, consolo e desafio, esperança
e apelo, a fim de sublinharmos mais e mais em cada um de nós
a beleza da graça que nos habita e nos consome, nos enleva
e nos envia para servir e dar a vida pela Igreja presente em
cada outro!
Como permanecer indiferente a esse caminho
traçado pelo
Sucessor de Pedro ao sublinhar que não podemos mais ser
pastores de nós mesmos?! Não podemos mais ser anunciadores
das nossas palavras em detrimento da Palavra que é Jesus
Cristo! Não podemos mais propor a nossa pessoa, as nossas
ideias, os nossos «devaneios», as nossas questões
meramente humanas e terrenas de acordo com as nossas espiritualidades
particulares! É de Cristo que somos voz; é a Cristo
Quem temos de anunciar; é a Cristo a Quem devemos obedecer
mais que aos homens e aos seus critérios e vontades!
Como não acreditar – bem cá no íntimo
do nosso ministério, no mais fundo da nossa alma, que
a nossa felicidade e a nossa paz advém apenas da nossa
fidelidade a Cristo e ao Seu Evangelho, apascentando, até doer,
se for preciso, todos – e nunca apenas uns quantos – que
o Bom Pastor nos entrega para lhes ofertar o nosso único
tesouro: a graça de Deus?!
Como passar do simples desejo desta paz e desta fecundidade da
missão sacerdotal?
O próprio Papa nos esclarece e relembra: sendo livres!
Verdadeira e profundamente livres!
Livres de todos e de tudo quanto nos desvia
do essencial para podermos ser completamente de Deus. Livres
das amarras económicas,
sociais, particulares, financeiras, oportunistas, que intentam
pastores para lhes abençoarem posturas, comportamentos,
religiosidades! Livres de pensamentos, sistemas, doutrinas particulares,
espiritualidades tribais ou elitistas, para que sejamos capazes
de dar a mão e o coração a cada outra mão
e a cada outro coração!
«Livres de nós mesmos» para não nos
endeusarmos nem a nós nos anunciarmos! «Livres de
nós mesmos» a fim de podermos espelhar a beleza
de Cristo e a Sua Palavra. A fim de testemunharmos a radicalidade
da Cruz e a salvação que dela brota mais, bem mais,
que a suspeita suavidade da lógica dos tempos e a perigosa
ligeireza de estilos de vida que não se adeqúem
jamais à vida de quem crê de verdade na mensagem
de Jesus de Nazaré!
Que bom que o Papa nos inquieta, nos provoca e nos «ressuscita» para
o essencial. Que fantástico o Sucessor de Pedro nos relembrar
a simplicidade e a urgência da nossa missão. Que única
esta oportunidade de cada um de nós recomeçarmos,
com renovada paixão, esta aventura decisiva de sermos
fieis pastores da Igreja que Jesus sonhou santa e serva diante
de toda a humanidade.
«
Livres», «livres» verdadeiramente para apenas
nos deixamos aprisionar pela paixão a Deus, num amor incondicional,
permanente, jamais agendado ou dependente de gostos ou paixões
particulares, a cada homem e mulher que vem a nós e a
quem buscamos por amor à salvação.
«
Livres» para não dependermos nunca de nada nem de
ninguém senão somente da Graça que Cristo
nos promete, do Seu Espírito Santo àqueles que
a Ele se abrem profunda e humildemente.
«
Livres» para podermos anunciar o Evangelho denunciando
sempre tudo quanto a ele é ameaça, «nuvem» ou
adulteração. «Livres», enfim, para
sermos tudo para todos em nome d’Aquele “que permanece
connosco até ao fim dos séculos e a todos Se dá na
Santíssima Eucaristia”.