Espiritualidade Clareana
Santa
Clara pediu humildemente à Santa Sé o Privilégio de
“Viver em Comum com suas Irmãs, na Uidade de Espírito e
sob o Voto da Altíssima Pobreza”.
A espiritualidade de Santa Clara tem como paradigma a
Vida Trinitária: Unidade, Vida em comum: Três Pessoas um
só Deus. A Altíssima Pobreza é a Incarnação do Verbo,
pela qual Se aniquila-se até à condição humana. Então,
em Clara, a Altíssima Pobreza consiste em identificar-se
com Cristo.
Nessa imitação-identificação, Clara vai par-e-passo com
o Filho de Deus, do Presépio ao Calvário. E diz: Por
amor do santíssimo e amado Menino, envolvido em pobres
faixas e deitado no presépio, e por amor de Sua Mãe
Santíssima …
Clara original e inovadora.
O amor por Esse Menino amantíssimo impele Clara a
solicitar o original Privilégio da Pobreza, que é o
privilégio de imitar Cristo. O Papa fica surpreendido. O
Privilégio inédito, jamais pedido a alguém por alguém.
Jesus Cristo é o Menino muito amado, o Crucificado o
Cristo eucarístico.
A visão de Cristo crucificado suscita em Clara o desejo
de partilhar dos Seus Sofrimentos. O amor de Clara, o
Esposo de Clara é Cristo pobre, crucificado,
ressuscitado e glorificado. É Aquele que ela contemplará
ainda antes de sair deste mundo, como dizia a uma das
suas irmãs: Vês, tu, o Rei da Glória que eu contemplo?
Clara Mulher Cristológica. Pela vivência da mística
nupcial, os interesses de Jesus Cristo são igualmente os
interesses de Clara: onde está o Esposo aí estará também
a esposa.
Clara, Mulher feita Igreja!
Assim, na imitação-identificação com Cristo, Clara
comunga e assume tudo o que é próprio da Esposa e
identifica-se totalmente com a Igreja, onde se realiza a
comunhão dos Santos.
Clara, Mulher Pascal
Clara tem como característica a alegria do Louvor:
Louvado Sejais Senhor por me terdes criado! É o cântico
de louvor que Clara eleva ao céu, quando já agonizante…
A 4.ª carta a Inês de Praga é um hino à felicidade.
E escreve:
Dou graças ao autor da Graça…
Se chorares com Cristo, com Ele partilharás da sua
alegria… Feliz daquela a quem é concedida esta
intimidade do banquete divino!”