Palavra
do Senhor para hoje NATIVIDADE
DA VIRGEM SANTA MARIA Dos
Sermões de Santo André de Creta,
bispo As histórias
também nos ajudam ... O
terço de uma Mãe ORAÇÃO Dai, Senhor, aos
vossos servos o dom da graça celeste
e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada
Virgem Maria,
cuja maternidade divina foi o princípio
da nossa salvação, aumente em nós
a unidade e a paz. Amen
A vinda do Filho de Deus à terra, foi preparada,
pouco a pouco, ao longo dos séculos, através
de pessoas e acontecimentos. Entre as pessoas escolhidas
por Deus para colaborarem no Seu projecto de salvação,
houve uma, à qual foi confiada uma missão única:
Maria, chamada a ser a Mãe do Salvador e cumulada,
por isso, de todas as graças necessárias
ao cumprimento dessa missão.
O nascimento de Maria foi, portanto, motivo de esperança
para o mundo inteiro: anunciava já o de Jesus.
Era a autora da salvação a despontar; «Ela
vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado.
Ela nasce e a Igreja reveste-se da sua beleza».
(Liturgia bizantina).
Felicitando a Mãe do Salvador, no dia do Seu
aniversário natalício, peçamos
a graça de à Sua semelhança,
colaborarmos, generosamente, na salvação
do mundo.
Cristo é o fim da lei; Ele nos faz
passar da escravidão da lei para a liberdade
do espírito. N’Ele está a
perfeição da lei, porque, sendo
o supremo legislador, deu pleno cumprimento à sua
missão, transformando em espírito
a letra da lei e recapitulando em Si todas
as coisas. A lei foi vivificada pela graça
e foi posta ao seu serviço, formando
com ela uma composição harmoniosa
e perfeita. Cada uma delas conservou as suas
características próprias, sem
alteração nem confusão;
mas o que na lei havia de penoso e servil tornou
se, por uma transformação divina,
fonte de suavidade e liberdade, e deste modo,
como diz o Apóstolo, já não
somos escravos dos elementos do mundo, nem
oprimidos pelo jugo da letra da lei.
O mistério de Deus que Se faz homem
e a consequente divinização do
homem assumido pelo Verbo representam o compêndio
perfeito dos benefícios de Cristo em
nosso favor e o aniquilamento de toda a vã presunção
da natureza humana. Mas convinha que a esplendorosa
e surpreendente vinda de Deus aos homens fosse
precedida por uma alegria especial que nos
preparasse para o dom grandioso e admirável
da salvação. Este é o
significado da festa que hoje celebramos, porque
o nascimento da Mãe de Deus é o
princípio desses bens prometidos, princípio
que terá o seu termo e conclusão
na predestinada união do Verbo com a
carne. Hoje nasce a Virgem Maria; será amamentada
e crescerá, preparando se deste modo
para ser a Mãe de Deus, Rei de todos
os séculos.
Deste nascimento nos vem um duplo benefício:
por um lado, eleva nos ao conhecimento da verdade;
e por outro, liberta nos de uma vida escravizada à letra
da lei. De que modo e em que condições?
A luz dissipa as trevas e a graça liberta
nos da escravidão da lei. Esta é uma
solenidade de confins entre o Antigo e o Novo
Testamento: a verdade substitui os símbolos
e as figuras, e a nova aliança substitui
a antiga.
Cantem e exultem todas as criaturas e participem
condignamente na alegria deste dia. Juntem
se nesta celebração festiva os
céus e a terra, tudo o que há no
mundo e acima do mundo. Porque hoje é o
dia em que o Criador do universo edificou o
seu templo; hoje é o dia em que a criatura
prepara uma nova e digna morada para o seu
Criador.
Um jovem sacerdote foi nomeado capelão
de um hospital. E com
eçou a visitar os
doentes. Ao chegar junto de um doente, este diz
em voz alta: "Não me fale de religião,
eu sou ateu e não acredito em nada." Mas
o capelão não desistiu e visitou-o
mais vezes, sempre com muita dedicação,
embora fosse repudiado, com desdém.
Um dia encheu-se de coragem e disse ao doente:
- Muito bem, meu amigo, vou rezar o terço
consigo.
- Não me fale em terço – responde
o enfermo.
- Mas esta oração só pode
fazer-lhe bem.
- Pelo contrário, Senhor Abade, o terço é a
causa de minha infelicidade.
- Como, meu amigo? O que é que você quer
dizer com isso?
- Olhe, senhor padre, quando eu era criança,
a minha mãe fazia com que eu rezasse o
terço com ela, todos os dias. Quando cresci,
tive que partir para a cidade, para aprender
um ofício. Fora de casa, fui arrastado
para o mal, para o desprezo à Lei de Deus,
por maus companheiros. Eu vivia sob estas más
influências, quando fui chamado para voltar
para casa. A minha mãe agonizava. Para
não a entristecer, fingi que faria o que
lhe agradava, prometendo-lhe que rezaria parte
do rosário, cada dia, tanto quanto possível.
A minha pobre mãe deu-me, então,
o seu terço. Após o seu enterro,
voltei ao meu ateliê. Mas, no caminho,
o demónio meteu-me no espírito
o seguinte pensamento: "Atira com o terço.
Deita-o ao chão." E assim fiz, atirando-o
com desprezo na estrada. Mas, desde então,
vivo infeliz e creio que sou um amaldiçoado.
O padre, bastante emocionado, perguntou: "Em
que mês e em que ano isto aconteceu?" Ao
ouvir a resposta precisa do enfermo, o padre
tirou do bolso o terço que achara, e diz: "Meu
amigo, reconheces este terço?" O
jovem não pôde conter o grito: "É o
terço da minha mãe!" Então,
pegou no terço com amor e abraçou-o
longamente, enquanto chorava.
- Muito bem – recomeçou o capelão –,
este terço, que tu dizes que é o
motivo da tua infelicidade, foi, para mim, o
motivo da minha felicidade. É por causa
dele que me tornei padre. Agora, meu amigo,
ele vai se tornar o agente da tua felicidade.
- Sim, Senhor Padre, quero-me confessar.
- Amanhã, eu virei dar-te os últimos
sacramentos. Até lá, o terço
fica contigo, para que possas reparar a tua falta;
mais tarde, tu mo devolverás.
Alguns dias mais tarde, o enfermo, feliz e
santificado, morria beijando o terço que fora de sua
mãe... O padre pegou no terço e
esta preciosa lembrança nunca mais o abandonou. (Jam)