Quarta-feira da semana XXIII do Tempo Comum

Se cambaleia o teu edifício espiritual, se tens a impressão de que tudo está no ar..., apoia-te na confiança filial em Jesus e em Maria, pedra firme e segura sobre a qual devias ter edificado desde o princípio. (Caminho, nº 721)

 

Palavra do Senhor para hoje

NATIVIDADE DA VIRGEM SANTA MARIA


A vinda do Filho de Deus à terra, foi preparada, pouco a pouco, ao longo dos séculos, através de pessoas e acontecimentos. Entre as pessoas escolhidas por Deus para colaborarem no Seu projecto de salvação, houve uma, à qual foi confiada uma missão única: Maria, chamada a ser a Mãe do Salvador e cumulada, por isso, de todas as graças necessárias ao cumprimento dessa missão.
O nascimento de Maria foi, portanto, motivo de esperança para o mundo inteiro: anunciava já o de Jesus. Era a autora da salvação a despontar; «Ela vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado. Ela nasce e a Igreja reveste-se da sua beleza». (Liturgia bizantina).
Felicitando a Mãe do Salvador, no dia do Seu aniversário natalício, peçamos a graça de à Sua semelhança, colaborarmos, generosamente, na salvação do mundo.

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo

Cristo é o fim da lei; Ele nos faz passar da escravidão da lei para a liberdade do espírito. N’Ele está a perfeição da lei, porque, sendo o supremo legislador, deu pleno cumprimento à sua missão, transformando em espírito a letra da lei e recapitulando em Si todas as coisas. A lei foi vivificada pela graça e foi posta ao seu serviço, formando com ela uma composição harmoniosa e perfeita. Cada uma delas conservou as suas características próprias, sem alteração nem confusão; mas o que na lei havia de penoso e servil tornou se, por uma transformação divina, fonte de suavidade e liberdade, e deste modo, como diz o Apóstolo, já não somos escravos dos elementos do mundo, nem oprimidos pelo jugo da letra da lei.
O mistério de Deus que Se faz homem e a consequente divinização do homem assumido pelo Verbo representam o compêndio perfeito dos benefícios de Cristo em nosso favor e o aniquilamento de toda a vã presunção da natureza humana. Mas convinha que a esplendorosa e surpreendente vinda de Deus aos homens fosse precedida por uma alegria especial que nos preparasse para o dom grandioso e admirável da salvação. Este é o significado da festa que hoje celebramos, porque o nascimento da Mãe de Deus é o princípio desses bens prometidos, princípio que terá o seu termo e conclusão na predestinada união do Verbo com a carne. Hoje nasce a Virgem Maria; será amamentada e crescerá, preparando se deste modo para ser a Mãe de Deus, Rei de todos os séculos.
Deste nascimento nos vem um duplo benefício: por um lado, eleva nos ao conhecimento da verdade; e por outro, liberta nos de uma vida escravizada à letra da lei. De que modo e em que condições? A luz dissipa as trevas e a graça liberta nos da escravidão da lei. Esta é uma solenidade de confins entre o Antigo e o Novo Testamento: a verdade substitui os símbolos e as figuras, e a nova aliança substitui a antiga.
Cantem e exultem todas as criaturas e participem condignamente na alegria deste dia. Juntem se nesta celebração festiva os céus e a terra, tudo o que há no mundo e acima do mundo. Porque hoje é o dia em que o Criador do universo edificou o seu templo; hoje é o dia em que a criatura prepara uma nova e digna morada para o seu Criador.

 

As histórias também nos ajudam ...

O terço de uma Mãe



Um jovem sacerdote foi nomeado capelão de um hospital. E começou a visitar os doentes. Ao chegar junto de um doente, este diz em voz alta: "Não me fale de religião, eu sou ateu e não acredito em nada." Mas o capelão não desistiu e visitou-o mais vezes, sempre com muita dedicação, embora fosse repudiado, com desdém.
Um dia encheu-se de coragem e disse ao doente:
- Muito bem, meu amigo, vou rezar o terço consigo.
- Não me fale em terço – responde o enfermo.
- Mas esta oração só pode fazer-lhe bem.
- Pelo contrário, Senhor Abade, o terço é a causa de minha infelicidade.
- Como, meu amigo? O que é que você quer dizer com isso?
- Olhe, senhor padre, quando eu era criança, a minha mãe fazia com que eu rezasse o terço com ela, todos os dias. Quando cresci, tive que partir para a cidade, para aprender um ofício. Fora de casa, fui arrastado para o mal, para o desprezo à Lei de Deus, por maus companheiros. Eu vivia sob estas más influências, quando fui chamado para voltar para casa. A minha mãe agonizava. Para não a entristecer, fingi que faria o que lhe agradava, prometendo-lhe que rezaria parte do rosário, cada dia, tanto quanto possível. A minha pobre mãe deu-me, então, o seu terço. Após o seu enterro, voltei ao meu ateliê. Mas, no caminho, o demónio meteu-me no espírito o seguinte pensamento: "Atira com o terço. Deita-o ao chão." E assim fiz, atirando-o com desprezo na estrada. Mas, desde então, vivo infeliz e creio que sou um amaldiçoado.
O padre, bastante emocionado, perguntou: "Em que mês e em que ano isto aconteceu?" Ao ouvir a resposta precisa do enfermo, o padre tirou do bolso o terço que achara, e diz: "Meu amigo, reconheces este terço?" O jovem não pôde conter o grito: "É o terço da minha mãe!" Então, pegou no terço com amor e abraçou-o longamente, enquanto chorava.
- Muito bem – recomeçou o capelão –, este terço, que tu dizes que é o motivo da tua infelicidade, foi, para mim, o motivo da minha felicidade. É por causa dele que me tornei padre. Agora, meu amigo, ele vai se tornar o agente da tua felicidade.
- Sim, Senhor Padre, quero-me confessar.
- Amanhã, eu virei dar-te os últimos sacramentos. Até lá, o terço fica contigo, para que possas reparar a tua falta; mais tarde, tu mo devolverás.
Alguns dias mais tarde, o enfermo, feliz e santificado, morria beijando o terço que fora de sua mãe... O padre pegou no terço e esta preciosa lembrança nunca mais o abandonou.
(Jam)

ORAÇÃO

Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz.

Amen